Vivenciando o legado deixado em Alhambra

Sem dúvida, a principal atração turística de Granada é Alhambra, localizada na colina em frente ao bairro de Albaicín. Por apresentar número limitado de visitantes, é preciso reservar com antecedência ou optar por um passeio guiado com alguma empresa de turismo da cidade.

Infelizmente não consegui reservar minha visita com antecedência pelo site oficial, mesmo com um mês de antecedência. Como não queria sair de Granada sem conhecer sua principal atração turística, recorri a uma visita guiada com a empresa Granada a Pie e foi uma ótima surpresa, já que a guia foi excelente, dando diversos detalhes de Alhambra e ainda incluí uma visita guiada ao bairro de Albaicín. Fomos em fevereiro, ainda durante o inverno e como Alhambra está no alto da colina, o clima estava bem frio logo cedo pela manhã.

entrada alhambraPara chegar a Alhambra, caso você esteja hospedado na região, consegue ir a pé, mas é uma ladeira, então prepare-se. O transporte público é a melhor forma de chegar. A linha de ônibus urbana que leva até lá é a linha C3, com uma parada em Las Taquillas (bilheterias) – Generalife. Nós fomos de táxi, porque ficamos com medo de nos atrasar e foi bem tranquilo.

Alhambra recebe esse nome por suas paredes avermelhadas, que derivado do árabe significa “Castelo Vermelho”. Construído pelos califas Ismail I, Yusuf I e Mohamed V quando a dinastia násrida governava Granada, o castelo de Alhambra foi incorporado à cidade murada no século 11, transformando toda a região em uma fortaleza militar. Desde o tempo dos Reis Católicos até hoje destaca-se a demolição de parte do conjunto arquitetônico de Carlos V para construir o palácio que leva seu nome, construindo os quartos do imperador e da rainha. Até o século XIX Alhambra não sofreu nenhuma reforma, o que fez com que parte da estrutura fosse deteriorada, até que se começou a restauração e conservação que é mantida até hoje.

Nosso tour se iniciou pela parte de fora, apreciando a fachada do Palácio Carlos V que passou a apresentar um estilo renascentista após o catolicismo se implantar em Granada. Construído por Pedro Machuca por ordem do imperador, se destaca o pátio circular ao centro, único em seu estilo. O palácio também abriga um acervo de arte hispano-islâmica. Não chegamos a conhecer o acervo.

De lá nos dirigimos para a Puerta del Vino, que se acredita ser um dos edifícios mais antigos de Alhambra, datado da época de Mohamed II, provavelmente sendo a entrada principal da Alhambra Alta. Seguindo, passamos pelo Pátio de Machuca, até chegar ao Mexuar, pátio que provavelmente pertencia aos primitivos palácios násridas, que servia como câmara de conferências onde o sultão reinante ouvia os pedidos de seus súditos e se reunia com os ministros para tomar as decisões. O detalhe das paredes revestidas por azulejos coloridos impressiona, mas fiquei bobo de saber que as cores foram conseguidas através de minerais e metais da época. A parte não revestida apresenta detalhes em alto relevo, muitos são inscrições da época moura.

alhambra palacio carlos v

Talvez a parte mais bonita de toda essa parte de Alhambra seja o Patio de los Arrayanes cuja piscina central reflete luz nas salas ao seu redor. Impressionam os detalhes do jardim muito bem cuidado e das colunas que sustentam a parte superior da construção. De um lado está a parte dos aposentos reais no Palácio de Comares e do outro, a Torre de Comares que abriga a Sala de la Barca, cujo nome deriva do termo árabe baraka, que significa “benção” e o Salón de los Embajadores, a sala do trono cujo teto simboliza os sete céus do cosmo muçulmano.

Por uma sala lateral chega-se ao Patio de los Leones que recebe esse nome por conta da fonte central com doze leões. Os leões representam a diversidade já que estão em pares – machos e fêmeas – e em diferentes detalhes, simbolizando diferentes raças. Destacam-se as finas colunas que sustentam a arcada. Vale entrar na Sala de los Abencerrajes cujo lindíssimo teto apresenta um padrão geométrico inspirado no teorema de Pitágoras.

interior palacio alhambra

Após a visita aos palácios, fomos conhecer as ruínas de Alcazaba, complexo que serviu de residência para Mohamed I e II, sendo a parte mais antiga da Alhambra. Também conhecido como Barrio Castrense, as ruínas são de residências, casas de banho e da Plaza de Armas, entrada original do complexo. No local destacam-se duas torres, a Torre de las Armas localizada na muralha Norte e a Torre de la Vela oferece vistas magníficas de Granada, Sierra Nevada, La Vega e das aldeias vizinhas.

alcazaba alhambra granada

Finalizando a visita a Alhambra, na parte norte está localizada o Generalife, nome derivado de “Yanna al Arif”, que tem várias interpretações, sendo a mais aceita “jardim do paraíso elevado”. Na época dos reis násridas, era a propriedade de campo. Os jardins foram construídos no século 13 com pomares e pastos e após deterioração pelo tempo, estão sendo restaurados atualmente, com base na criação de Leopoldo Torres Balbás em 1931. A parte interna mais importante é o Patio de la Acequia, aberto à visitação. Com um canal que o divide longitudinalmente, o pátio é um jardim oriental fechado, rodeado por um conjunto de pequenos jatos que criam arcos. As demais áreas estavam em reforma quando visitamos o Generalife, entre elas o Patio de los Cipreses.

generalife granada

Nosso tour por toda Alhambra durou em torno de 4 horas, com um intervalo de 15 minutos. Caso você vá por sua conta, sugiro reservar uma manhã e início da tarde para conhecer toda a área. Dessa forma, você conseguirá tempo para almoçar e poder emendar em um tour pelo bairro de Albaicín, para ver o lindo pôr do sol, do alto do Mirador San Nicolás.

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