TRIO Bienal ocupa vários pontos do Rio de Janeiro

A TRIO Bienal, exposição internacional de arte contemporânea em torno do tridimensional, vai ocupar diversos museus e instituições culturais no Rio de Janeiro, de 5 de Setembro a 26 de Novembro de 2015

Largura, altura e comprimento: os três ingredientes são a base de um evento que teve seu pontapé inicial este final de semana no Centro Cultural Oscar Niemeyer, na Fundação Getúlio Vargas, em Botafogo. Ao todo, 152 artistas de 41 países vão levar o público a um passeio por variados relevos em 160 obras.

Alexandre Murucci, idealizador do projeto, rodou bienais no exterior, conversou com curadores e procurou trabalhos em coleções durante dois anos, investindo do próprio bolso para ver a ideia sair do papel. O resultado une em 11 espaços nomes nacionais de destaque como Amílcar de Castro, Hélio Oiticica, Lygia Clark, Anna Bella Geiger e Vik Muniz com estrangeiros do naipe de Marina Abramovic e Joseph Kosuth.

— Os artistas do tridimensional têm presença na história da arte como mudança de rumo. Eu achei que isso era algo que tinha que ser evidenciado, assim como o poder dos brasileiros nessa área. Tinha ainda a vontade de trazer um evento de grande porte sazonal ao Rio, estimulando a economia local, como acontece com a Bienal de Veneza — explica Murucci, referindo-se ao evento italiano visitado anualmente por até 500 mil pessoas.

Para Marcus de Lontra Costa, convidado por Murucci para ser o curador, não poderia haver cidade melhor para abrigar a Bienal do que o Rio.

— É uma cidade escultórica, o Pão de Açúcar é quase uma pessoa. Não à toa o Le Corbusier dizia que a arquitetura do Niemeyer era sensual porque ele tinha as montanhas do Rio nos olhos. E a arte brasileira é muito marcada pelo volume, desde Aleijadinho — avalia ele.

Apesar de conter muitas esculturas, a TRIO Bienal, no entanto, não será só dominada por elas. Como Murucci ressalta, o conceito de campo ampliado de Rosalind Krauss perpassa toda a mostra. A americana jogou luz sobre os vários tipos da arte, entendendo outras formas de expressão, como pintura, fotografia e vídeo, também como suportes para o tridimensional.

Verso de música de Marcelo D2, “Quem foi que disse que não existe amanhã?” foi escolhido como tema desta primeira edição. A frase dialoga com o entendimento de que a contemporaneidade não apaga a arte anterior e também é utilizada para contextualizar o momento de crise no país.

A programação completa está em www.triobienal.com


Fonte: Segundo Caderno – O Globo