Opinião: A homofobia disfarçada de moralismo na polêmica do tapume de hotel gay em Ipanema
Colunista Ancelmo Gois derrapa no moralismo e deixa aparecer homofobia estrutural
Uma matéria publicada nesta segunda (23) originalmente na coluna de Ancelmo Gois, do jornal O Globo, e posteriormente republicada em outros sites, sobre o tapume da obra do hotel gay que abrirá em Ipanema está gerando comentários. Mas o que vemos é homofobia disfarçada de moralismo!
O empreendimento será o primeiro da rede americana Tryst Hospitality no Rio de Janeiro, no endereço onde funcionou o antigo Hotel Ipanema Plaza. A proposta é clara: um hotel de luxo direcionado ao público gay, em um dos bairros mais simbólicos dessa comunidade no Brasil.
Mas o que realmente causa debate? O título da matéria fala em “apelo sexual” e descreve os cartazes como “safadinhos”. Estamos falando, essencialmente, de uma imagem de homem usando roupa de banho, com os glúteos à mostra, algo absolutamente comum na publicidade brasileira quando se trata de corpos femininos.
A poucos metros da obra não é difícil encontrar campanhas publicitárias com mulheres de biquíni, frequentemente explorando os mesmos ângulos corporais. Essas imagens raramente são classificadas como escandalosas. São vistas como “naturais”, “praianas”, “verão”. Então qual é a diferença? É que, desta vez, trata-se de um corpo masculino. É aí que o desconforto aparece!
O que causa mais espanto é que essa indignação surja logo após o Carnaval, período em que corpos (majoritariamente femininos, mas também masculinos), são amplamente expostos e celebrados. O próprio colunista já promoveu iniciativas como o concurso “As mulatas do Ancelmo”.
Quando o critério muda conforme a sexualidade do público ao qual a imagem se destina, o que está em jogo não é moralidade e sim seletividade. E isso tem nome: homofobia estrutural. Transformar um corpo masculino em escândalo enquanto corpos femininos seguem naturalizados revela mais sobre preconceitos do que sobre o tapume em si.
