O que acontece no seu corpo em voos longos
Especialista cita os principais desconfortos e como evitá-los
Dor de ouvido durante a aterrissagem, pernas inchadas, dificuldade para dormir e sensação de cansaço são algumas das queixas mais frequentes após um voo longo. Esses desconfortos têm explicações fisiológicas e, em alguns casos, podem representar riscos à saúde. Por isso é preciso ficar atento.
Durante a viagem, o organismo precisa se adaptar a mudanças de pressão, baixa umidade do ar, longos períodos de imobilidade e, em casos de rotas internacionais, à alteração dos fusos horários. Mas pequenas medidas podem ajudar a minimizar o desconforto.
Dor de ouvido
Mesmo com a cabine pressurizada, as variações de pressão durante a decolagem e, principalmente, na aterrissagem exigem que o organismo execute um processo de compensação. Quando há congestão nasal provocada por gripes, alergias, rinite ou sinusite, essa adaptação pode ser mais difícil.
Para evitar o desconforto, medicamentos antialérgicos ou descongestionantes podem ser indicados por médicos. Durante o voo, mascar chiclete, bocejar ou engolir saliva ajudam na equalização da pressão. Outra estratégia é tomar um gole de água, tampar o nariz e engolir repetidamente.
Inchaço nas pernas
Outro ponto de atenção é a circulação sanguínea. Permanecer muitas horas na mesma posição aumenta o risco de trombose venosa profunda, especialmente em voos com mais de quatro horas de duração. A condição ocorre quando um coágulo se forma nas veias profundas das pernas e, em casos mais graves, pode se deslocar para os pulmões, causando uma embolia pulmonar.
“Para reduzir o risco, é importante manter uma boa hidratação, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, movimentar as pernas com exercícios de flexão e extensão dos tornozelos e das panturrilhas e, sempre que possível, levantar e caminhar a cada uma ou duas horas. Em alguns casos, o uso de meias de compressão também pode ser indicado”, afirma André Echaime Vallentsits Estenssoro, cirurgião vascular do Hospital Sírio-Libanês.
Ressecamento das mucosas
A umidade dentro dos aviões costuma ser muito inferior à encontrada em ambientes terrestres. Como consequência, pele, olhos e mucosas ficam mais ressecados durante voos prolongados.
Para minimizar os efeitos, a principal recomendação é aumentar a ingestão de água antes, durante e após a viagem. Colírios lubrificantes podem aliviar o desconforto ocular, enquanto a higiene frequente das mãos ajuda a reduzir o risco de infecções.
Jet lag
O distúrbio ocorre porque o relógio biológico permanece sincronizado com o horário de origem, enquanto o ambiente externo já segue um novo ciclo. “Quando a gente muda bruscamente de fuso horário, o nosso relógio interno fica dessincronizado com o horário local”, explica o neurologista e especialista em sono Lucio Huebra, do Hospital Sírio-Libanês.
Entre os sintomas mais comuns estão fadiga, insônia, sonolência diurna, alterações de humor e mudanças no apetite. A recomendação, segundo o médico, é ajustar gradualmente os horários de sono nos dias anteriores ao embarque e buscar exposição à luz natural ao chegar ao destino.
Problema de digestão
A combinação entre a pressurização da cabine e a permanência prolongada na posição sentada tende a tornar a digestão mais lenta e favorecer desconfortos gastrointestinais.
A orientação é priorizar frutas, carnes magras e preparações menos gordurosas, além de reduzir o consumo de alimentos que favorecem a formação de gases.
