Filme Quinze Dias leva pra telona sucesso literário LGBTQIA+

Livro já ultrapassou a impressionante marca de 100 mil cópias vendidas apenas no Brasil

Longa estreou nesta quinta (18) nos cinemas Crédito: Divulgação

A adolescência é, por excelência, uma fase arquitetada pelo universo para nos fazer passar vergonha. Entre os picos hormonais, a infinita lista de inseguranças e a mais absoluta falta de traquejo social, sobreviver a essa etapa sem grandes traumas já é um mérito e tanto. Mas é exatamente desse poço de deliciosos constrangimentos que Quinze Dias tira o seu maior charme. A aguardada adaptação cinematográfica do best-seller homônimo de Vitor Martins chegou às telonas nesta quinta (18), sob a direção de Daniel Lieff, provando que o romance juvenil brasileiro ainda tem muito fôlego.

O material de origem é um verdadeiro rolo compressor do mercado editorial jovem. O livro já ultrapassou a impressionante marca de 100 mil cópias vendidas apenas no Brasil, bateu ponto nas cobiçadas listas de mais vendidos, dominou o TikTok e foi exportado para nove países, dos Estados Unidos à Rússia. Um fenômeno literário de sucesso que agora precisa provar seu apelo nas salas de cinema, com distribuição da Manequim Filmes e produção da Conspiração.

A trama acompanha Felipe (Miguel Lallo), um garoto gordo e tímido que sofre bullying e só queria o que qualquer jovem sensato deseja nas férias de julho: isolamento social profilático, livros e maratonas de séries no quarto. O plano do ócio perfeito, no entanto, é sumariamente sabotado por sua mãe, Rita (Débora Falabella). A matriarca decide hospedar o vizinho Caio (Diego Lira) por longas duas semanas, enquanto os pais do garoto viajam. O detalhe que acaba com a paz de Felipe: Caio é sua paixão platônica de infância. O que se segue é aquele clássico confinamento forçado que a dramaturgia tanto adora, operando sob a máxima do “junte os dois e veja no que dá”.

O consenso da crítica que já conferiu a obra é que o longa acerta em cheio no seu principal ingrediente: ser um comfort movie assumido. A narrativa entende com precisão cirúrgica a sensação de desconforto emocional e os pequenos constrangimentos do amadurecimento adolescente. Toda a dinâmica da história funciona graças ao jogo muito bem calibrado de vergonha, expectativa e aproximação afetiva construído no roteiro, embalado por uma trilha pop que promete ser o grande trunfo dessa atmosfera juvenil.

Quanto ao filme, a polêmica tem sido, de acordo com a crítica especializada, que certas escolhas de humor talvez destoem do coração da própria história, pois algumas piadas autodepreciativas acabam soando como uma gordofobia acidental, criando um ruído no arco de autoaceitação do personagem. No entanto, é fundamental colocar isso na balança e compensar qualquer tropeço narrativo destacando a importância de dar protagonismo e visibilidade a todos os corpos na cultura pop. Ver um jovem fora do padrão mercadológico ocupando o centro de uma narrativa de descoberta e afeto é, por si só, um passo gigantesco e necessário.

Afinal, Quinze Dias se sustenta brilhantemente pela honestidade de sua dimensão afetiva, sem tentar intelectualizar pequenos dilemas para parecer mais complexo do que é. Em tempos de produções audiovisuais cínicas, higienizadas ou excessivamente panfletárias, um romance que reconhece o valor de sua própria simplicidade — permitindo que personagens LGBTQIA+ simplesmente existam, amem e tenham direito ao clássico final feliz — é um respiro revigorante.

A promessa é de uma sessão que garanta aquele quentinho no peito e um belo sorriso no canto da boca. É entretenimento direto, bem-feito e que abraça a nostalgia de quando o maior problema da vida era esbarrar na paixão de infância de pijamas na cozinha. Vá ao cinema, garanta a pipoca e permita-se essa leveza.

Related Posts

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *