Sabor Peruano colocou sushi no menu. E isso faz sentido!

Restaurante peruano no Rio resgata influência oriental na gastronomia do país sul-americano

Restaurante Sabor Peruano
Barcas entregam o melhor da combinação gastronômica dos dois países Crédito: Divulgação

Imagina um restaurante peruano com sushi no menu. Acredite, isso faz todo sentido! Primeiro não estamos falando de um empreendimento qualquer. No Sabor Peruano não se trata de acreditar que para dominar a arte do ceviche basta pingar limão taiti em tilápia congelada e chamá-lo de leche de tigre. Na casa comandada pelo chef Pablo Salcedo a equipe da cozinha é 100% peruana.

E isso muda o jogo. Trata-se de uma brigada que cresceu comendo e respirando essa cultura, e não de profissionais formados por tutoriais rápidos na internet. Por isso mesmo com autonomia para entender que o sushi cabe no cardápio.

À primeira vista, o olhar mais cético pode torcer o nariz perante a introdução das culinárias japonesa e chinesa, soando como aquele velho clichê de estabelecimentos que tentam atirar para todos os lados. Contudo, basta uma rápida lição de história e demografia antes de qualquer reclamação.

O Peru possui a maior comunidade de ascendência chinesa e a segunda maior de ascendência japonesa da América Latina. As cozinhas Chifa (sino-peruana) e Nikkei (nipo-peruana) passam longe de ser invencionices de marqueteiros desocupados; elas formam a espinha dorsal gastronômica e cultural de um país inteiro.

Chef Pablo Salcedo do Sabor Peruano
Chef Pablo Salcedo resgata influência asiática na gastronomia peruana Crédito: Divulgação

Ou seja, o chef Salcedo fez o óbvio, mas que poucos têm peito de executar com maestria: olhou para a qualidade absurda dos peixes frescos que a casa consegue — que deveria ser regra, mas no Brasil virou artigo de luxo — e decidiu expandir o menu abraçando de vez essa herança oriental.

O flerte asiático entra em cena de forma inteligente. Em vez de invenções bizarras, a nova seção Nikkei é encabeçada por criações que fazem sentido. Há os Patacones dos Mares, nos quais o canapé de banana-da-terra abriga um tartar de salmão e atum que respeita a textura da proteína, e o Nigiri de atum maçaricadocom óleo de gergelim e teriyaki. Para os gulosos ou indecisos, os combinados Kaiseki surgem em duas versões: 23 ou 45 peças.

Mesmo as famosas “barcas”, que costumam evocar traumas de rodízios de quinta categoria, ganham uma redenção monumental com o El Barco Cevichero. No lugar de frituras sem propósito, o cliente recebe um latifúndio de frutos do mar que serve um batalhão: chaufa de mariscos, jalea mixta, maki acevichado, causas de polvo e ceviche clássico. É despudorado, sim. Mas executado com extremo primor.

Para quem cultiva medos infantis de comer miúdos, é hora de crescer e lidar com o fato de que estão perdendo o melhor da festa. O pedido obrigatório atende pelo nome de Anticuchos com corazón. São lâminas de coração bovino — músculo puro, de textura espetacular — temperadas com molho anticuchera e servidas com batatas e milho verde. O prato é tão absurdamente delicioso, macio e bem temperado que o público deixou qualquer frescura de lado.

Quem busca boas frituras encontra nos Tequeños de Lomo e na Papa Rellena – massa de batata com pimenta amarela recheada com filé mignon, ovo e azeitona – aquela comida afetiva que abraça o estômago. Há também, obviamente, os ceviches. O inédito Ceviche Tropical leva salmão com redução de maracujá e milho crocante, enquanto o Trio de Ceviches resolve a vida de quem recusa escolhas limitadas.

O Sabor Peruano en Rio prova que não é preciso apelar para ambientes milimetricamente desenhados para redes sociais, vazios de significado, quando se domina duas premissas básicas: técnica apurada na cozinha e respeito brutal pela própria cultura. A adição da vertente oriental não soa como um puxadinho no menu; é a exaltação de um Peru real, cru e de sabor arrebatador. A experiência exige apenas mente aberta e um apetite voraz.

Sabor Peruano
Endereço: Rua Aires Saldanha, 98 – Copacabana – Rio de Janeiro/RJ
Horário de funcionamento: Segunda a quinta, das 12h às 23h;. sexta e sábado, das 12h à 0h; e domingo, das 12h às 18h

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