Terá fumaça de churrasco carioca no Tennessee
Diogo Teixeira, da Curadoria & Bar Saudade, vai disputar mais uma vez o The Jack
Quem acha que churrasco se resume a picanha, sal grosso e alguém palpitando sobre o ponto da carne precisa saber que existe um universo paralelo. Nele, a fumaça é tratada como ciência exata e a carne recebe nota até a quarta casa decimal.
É para lá que segue o chef Diogo Teixeira, da Curadoria & Bar Saudade, para disputar o cobiçado The Jack. O nome completo é Jack Daniel’s World Championship Invitational Barbecue, quase tão longo quanto a defumação de um brisket. Único representante do Rio na competição, que acontece entre 9 e 11 de outubro em Lynchburg, no Tennessee, ele volta à arena com um título a defender.
À frente da B.R.A. Barbecue Team, formada também por Edd Campos, Carlos Hideki, Lucas Cesar, José Eduardo Resende Alves e Romulo Germano, Diogo leva na bagagem algo que nenhum time brasileiro havia trazido de lá: um troféu. Em 2025, a equipe venceu a categoria Home Cookin’ from the Homeland (traduzida por aqui como “prato do chef”), em que os times estrangeiros apresentam a culinária de seus países. O prato campeão reunia costela bovina defumada, purê de batata, molho demi-glace e gremolata. Ou seja, a comida de casa brasileira subiu ao pódio com molho francês e guarnição italiana, o que diz bastante sobre o Rio e outro tanto sobre o paladar dos juízes.
A edição de 2026 reúne um campo internacional particularmente diverso. A lista divulgada pela organização aponta equipes de 22 países, ao lado de dezenas de times americanos. Na ala internacional, o Brasil divide espaço com Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Alemanha, Itália, México, Nova Zelândia, Polônia e Reino Unido, entre outros.
É aí que a escala do campeonato fica clara. Não se trata de meia dúzia de americanos de chapéu de caubói com o sábado livre. São equipes que atravessam continentes carregando equipamentos, receitas e técnicas. A peneira ajuda a explicar o nível. Os estrangeiros só entram se vencerem o campeonato nacional chancelado pela Kansas City Barbeque Society (KCBS).
Já os americanos precisam colecionar vitórias em provas classificatórias e, ainda assim, muitos dependem de sorteio. “Para ganhar sete etapas nos Estados Unidos, o cara provavelmente precisa competir em dezenas de provas diferentes. É um negócio frenético e, por isso, o The Jack é tão valorizado”, resume Diogo.
A trajetória do chef começou bem longe do Tennessee, com pastrami e brisket feitos para os amigos. A brincadeira ficou séria quando ele passou a abastecer casas como o Bar do Momo. Em 2017, ganhou balcão próprio no Vogue Square, e a Curadoria virou referência em churrasco americano na cidade. Em 2023, seu time ficou em segundo lugar no Meatstock, em Sydney, a melhor colocação de uma equipe brasileira naquela competição.
Para desopilar diante de tanta pressão, os competidores mantêm uma tradição: o Burning of the Regrets, a Queima dos Arrependimentos. Na noite de sexta-feira, véspera do julgamento, eles escrevem em papéis os maiores fracassos culinários do ano e os entregam a Jasper, um porco de metal. Devidamente regado com Old No. 7, o porco vai para o fogo.
