Iphone ficará ainda mais caro (e dessa vez a culpa não é da Apple)

Inteligência Artificial é uma da vilãs do aumento

Crise no fornecimento de componentes aumentará valor Crédito: Cup of Couple/Pexels

Não é incomum a cada lançamento da Apple uma enxurrada de comentários sobre os preços cada vez mais altos. E isso vai piorar ainda mais, mas dessa vez a culpa não é da empresa. Entenda!

Tim Cook, com a habitual fleuma de quem comanda a empresa mais valiosa do planeta, finalmente abandonou as meias palavras e confirmou o que o mercado tentava varrer para debaixo do tapete: os produtos da Apple vão ficar mais caros. O grande vilão da vez? A menina dos olhos da indústria atual, a Inteligência Artificial.

Para que a tal IA funcione, aprenda e processe dados em tempo real na palma da sua mão, é exigida uma quantidade obscena de memória RAM e NAND. O gargalo logístico é simples: enquanto todas as fabricantes de tecnologia do mundo correm desesperadas atrás desses mesmos componentes para embarcar na nova onda, a corda arrebenta no lado mais óbvio da escassez.

A Samsung, principal fornecedora do pedaço, cravou um reajuste de 30% nas memórias DRAM apenas neste segundo trimestre de 2026, ignorando solenemente qualquer previsão de estabilidade que os analistas otimistas tentaram emplacar no início do ano. É a implacável lei da oferta e da procura agindo com a sutileza de um trator.

Trata-se de uma crise longamente anunciada, diga-se. Desde o final de 2025, os executivos da cadeia de suprimentos asiática já davam avisos claros de que a farra dos componentes baratos havia acabado. A Apple, numa tentativa pragmática de quem tem muito caixa para comprar em atacado, até ampliou seus pedidos de RAM à gigante sul-coreana no apagar das luzes do ano passado para tentar fugir da inflação iminente. Um esforço louvável de contenção de danos, mas inútil a longo prazo contra a maré do mercado.

Estima-se que o vindouro iPhone 18 Pro chegue ao consumidor com um acréscimo de dolorosos US$ 270 na etiqueta. O Mac mini, por sua vez, não teve sequer tempo de esperar a virada da geração e já teve sua tabela reajustada para cima em silêncio.

E se o consumidor acha que a sangria financeira para por aí, o buraco é bem mais embaixo. A próxima crise estrutural a bater na porta do setor atende pelo nome de processadores. A mesma demanda voraz por Inteligência Artificial que secou os estoques de memória já pressiona fortemente a capacidade de produção de chips da Intel e da AMD, preparando o terreno para mais uma escalada de preços que vai atingir toda e qualquer marca em um futuro brevíssimo.

Como consequência desse efeito dominó, o mercado global de smartphones — que, convenhamos, já vinha capengando para convencer o usuário de que trocar de aparelho todo ano ainda faz algum sentido prático — deve encolher 15% em 2026.

No fim das contas, a dinâmica corporativa é cristalina: enquanto as big techs travam uma caríssima guerra de egos e algoritmos para ver quem entrega a IA mais sedutora, o privilégio de ter um telefone de ponta se converte, a passos largos, de uma comodidade moderna para um artigo de luxo excludente. A inovação sempre cobra seu preço, e o boleto, mais uma vez, já foi emitido no nome do consumidor final.

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