Entenda se há relação entre sexo anal e incontinência e dor

Especialista explica as principais dúvidas a respeito

Especialista explica relação entre hábito e problemas de saúde Crédito: Canva IA

Uma revisão científica publicada em setembro de 2024 na revista Archives of Sexual Behavior analisou 68 referências sobre a relação entre atividade sexual anal penetrativa e disfunções do assoalho pélvico. Entre os destaques dos achados estão nodispareunia, caracterizada por dor durante ou após a penetração anal, e a incontinência fecal.

Mas Regiane Migliorini, fisioterapeuta pélvica e especialista em disfunções do assoalho pélvico, destaca que os resultados não permitem afirmar que a penetração anal, isoladamente, provoque essas disfunções em todas as pessoas.

Não é porque uma pessoa pratica sexo anal que ela terá uma disfunção. O que precisamos observar é se existe dor, dificuldade para relaxar, alteração da continência ou desconforto persistente.

Sobre dor no sexo anal

O canal anal possui características anatômicas diferentes das da vagina. Entre elas está a ausência de lubrificação natural suficiente para reduzir o atrito durante a penetração, o que torna o uso adequado de lubrificante especialmente relevante.

A especialista ressalta que a orientação sobre lubrificação, ritmo, comunicação entre parceiros e respeito aos limites do corpo também faz parte da educação em saúde. ““Existe uma diferença entre uma sensação passageira de desconforto e uma dor recorrente que faz a pessoa evitar determinada atividade. Se há dor frequente, sangramento ou dificuldade persistente, é necessário investigar”, destaca.

Sobre incontinência fecal

A continência intestinal depende de diferentes mecanismos, incluindo os esfíncteres anais, a musculatura do assoalho pélvico, a sensibilidade retal, a consistência das fezes e o funcionamento neurológico. Por isso, nem toda alteração de continência está relacionada à atividade sexual.

“Pode haver alterações musculares, intestinais, neurológicas ou outras condições associadas. A fisioterapia pélvica pode fazer parte do tratamento, mas a avaliação deve ser completa”, explica Regiane.

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