T.T. Burger reabre em Botafogo com serviço de salão
Na contramão da frieza das telas de autoatendimento, a T.T. Burger de Botafogo reabre com serviço de mesa, cozinha aparente e a prova de que comida boa de verdade exige calor humano
A rede T.T. Burger do chef Thomas Troisgros, que lá atrás, em 2013, ensinou ao carioca que hambúrguer não precisava ter gosto de papelão nem textura de sola de sapato, reinaugurou seu imenso espaço na Rua Nelson Mandela, em Botafogo. E a grande revolução desse novo projeto não é uma maionese trufada qualquer, mas algo muito mais raro hoje em dia: seres humanos.
Pela primeira vez na história da marca, a loja adotou o serviço de salão completo. Esqueça as telas touch e o deprimente “aguarde o número da sua senha no painel”. Garçons agora vão até a sua mesa.
Segundo a CEO da rede, Mayli Souza, a ideia é criar uma conexão mais profunda e personalizada. Papo corporativo à parte, ela tem toda a razão. Gastronomia é hospitalidade. É o sorriso de quem te serve, a troca de olhares e a sugestão certeira de quem conhece o cardápio intimamente.
O ambiente também ganhou um bem-vindo banho de loja, assumindo sua vocação de ponto de encontro para além do fast-food. Está mais confortável, espaçoso, com uma arquibancada pensada para um chope despretensioso entre amigos, espaço dedicado a pequenos eventos e uma cozinha totalmente aberta.
O cliente vê a chapa fumegar, acompanha a montagem milimétrica dos lanches e assiste à coreografia suada da brigada. É um teatro analógico que valoriza o produto e enaltece o trabalho de quem está ali, ralando de verdade na linha de frente.
Na boca, a consistência de sempre, a que construiu a reputação da casa. Os hambúrgueres mantêm a excelência que fez a fama da marca e honra o DNA da família Troisgros. Carne no ponto perfeito, pão que abraça o recheio sem esfarelar na sua mão e um tempero com personalidade que não se esconde atrás de excesso de gordura. Do clássico bovino às versões de frango e salmão, tudo tem gosto de comida, feita por gente e para gente.
Para celebrar os 13 anos de estrada, eles ainda sacaram da cartola o “X-T.T.udo”, um aceno genial à baixa gastronomia das madrugadas cariocas, mostrando que dá para ser autoral e ter técnica de sobra sem perder a essência popular.
O T.T. Burger de Botafogo olha para a sua próxima década com a certeza de que a tecnologia facilita, mas é o fator humano que encanta. E que alívio poder sentar, pedir uma boa comida para um garçom e ser tratado como visita, e não como algoritmo.
