Mitos e verdades sobre o orgasmo feminino

Especialista esclarece as principais dúvidas

Prazer feminino ainda enfrenta muitos tabus Crédito: Deon Black/Divulgação

Oprazer feminino ainda é cercado de tabu. Muitas mulheres envelhecem sem nunca ter experimentado um orgasmo. Ou convivem com dores, desconfortos e dificuldade de relaxar durante as relações sexuais. Na maioria dos casos, o problema não está apenas em fatores emocionais, mas também na saúde do assoalho pélvico.

A fisioterapeuta pélvica Berenice Shakti esclarece as principais dúvidas ligadas ao tema:

Se uma mulher nunca teve orgasmo, ela tem algum problema

Algumas mulheres nunca experimentaram um orgasmo simplesmente porque não aprenderam o caminho até ele, nunca tiveram oportunidade de conhecer o próprio corpo porque receberam uma educação baseada em culpa, pecado e vergonha. A especialista lembra que isso pode ser aprendido ao longo da vida por meio do autoconhecimento ou do acompanhamento profissional.

A cabeça influencia o orgasmo

Segurança emocional, autoconhecimento, ausência de dor, vínculo afetivo, autoestima, qualidade do relacionamento, estresse e saúde mental modulam diretamente os circuitos cerebrais envolvidos na resposta sexual. “Por isso, cuidar apenas da musculatura nunca será suficiente quando existem fatores emocionais importantes envolvidos”, destaca Shakti.

O orgasmo depende da penetração

Durante muito tempo, aprendemos que a relação sexual seguia um único roteiro: preliminares rápidas, penetração e movimentos de vai e vem até o orgasmo. “Esse modelo foi construído muito mais a partir da resposta sexual masculina do que da fisiologia feminina”, explica. Para a maioria das mulheres, o orgasmo está muito mais relacionado à estimulação do complexo clitoriano do que à penetração. Isso significa que movimentos da pelve, mobilizações circulares do quadril, mudanças de ritmo, contato entre os corpos e a estimulação direta ou indireta do clitóris costumam favorecer muito mais a resposta sexual feminina.

Existe um jeito certo de chegar ao orgasmo

Cada corpo responde de maneira diferente. Algumas mulheres preferem estimulação direta do clitóris, outras indireta, algumas gostam de movimentos mais lentos, outras de maior pressão. Não existe um roteiro universal. O que existe é descobrir aquilo que faz sentido para o próprio corpo.

O orgasmo precisa ser intenso e explosivo

Berenice é direta: “Nem todo orgasmo é cinematográfico”. Alguns são discretos, outros intensos, alguns duram poucos segundos e outros podem ocorrer em ondas. A intensidade do orgasmo é muito variável e a mesma pessoa pode experimentar diferentes intensidades, e isso não mede a qualidade da relação e nem o prazer vivido.

Depois da menopausa o orgasmo acaba

A menopausa provoca alterações hormonais que podem interferir na lubrificação, na elasticidade dos tecidos e na resposta sexual. Com tratamento adequado, fisioterapia pélvica, exercícios, lubrificantes, reposição hormonal quando indicada e uma boa comunicação com o parceiro, muitas mulheres vivem uma sexualidade plenamente satisfatória nessa fase atingindo orgasmos.

O vibrador mais eficaz para o orgasmo feminino é aquele em formato de pênis, usado para penetração

Durante muito tempo, a sexualidade da mulher foi compreendida a partir da penetração, quando, na verdade, a anatomia nos conta outra história. A grande maioria das mulheres atinge o orgasmo principalmente por meio da estimulação do clitóris, e não da penetração vaginal isolada. Por isso, muitos dos vibradores desenvolvidos especificamente para mulheres sequer são introduzidos na vagina.

O órgão do prazer feminino é a vagina

Durante muito tempo, acreditou-se que o prazer da mulher estava na vagina. Hoje, a anatomia nos mostra que o principal órgão relacionado ao prazer feminino é o clitóris. A parte que vemos externamente, aquele pequeno botão localizado acima da entrada da vagina, representa apenas uma pequena porção dessa estrutura, mas é um órgão muito maior, que se estende internamente, envolvendo os tecidos ao redor da vagina por meio de seus ramos e bulbos.

“Isso ajuda a entender por que a maioria das mulheres não atinge o orgasmo apenas com a penetração. Durante a relação sexual, muitas experimentam o orgasmo porque há estimulação direta ou indireta do complexo clitoriano”, finaliza a especialista.

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